quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A incompetência dolosa socialista

António Costa chegou ao poder nas circunstâncias que se conhecem; depois de perder umas eleições que supostamente ganharia com maioria absoluta não hesitou em aliar-se a comunistas e "bloqueiros" para derrubar os vencedores e se instalar em São Bento.
Depois governou como se sabe: sempre de sorriso na cara, bonacheirão (a vida ia-lhe correndo bem), dando-se ares de superioridade, alternando a condescendência para com a oposição - a quem acusava de "não saber perder" - com a ridicularização da mesma, por prever catástrofes que teimavam em não chegar. 

Tudo era bom no planeta Costa: os salários da função pública aumentavam, o tempo de trabalho diminuía, os feriados voltavam, a austeridade era decretada extinta e todos éramos muito felizes. Algumas das medidas eram acertadas - nalguns casos estavam já previstas no programa do anterior governo (que ao contrário de Costa era completamente inábil em articular a sua mensagem e a sua imagem, para além de outras deficiências que não vêm ao caso) - mas a mensagem geral era e é completamente errada: transmite ao País a ideia de que nada de errado se passou, que o nosso modelo económico era são e que a auteridade foi uma espécie de capricho de figuras draculianas que se alimentavam do sangue dos pobres. Enfim que é preciso esquecer completamente o passado e "virar a página", como se tudo não tivesse passado de um pesadelo. Que a ordem é rica e o Estado pode dispensar as benesses que quiser, que há que chegue e sobre para todos, que basta os salários aumentarem para com isso aumentar o consumo e a economia crescer. Enfim, muitos dos elementos que nos levaram precisamente à situação de falência de 2010.

Mas as notícias teimavam em ser boas, todas elas. Depois de anos de bombardeamentos diários dos media de notícias terríveis e trágicas do País, vivia-se agora uma grande "paz social". Tudo estava bem e só havia boas notícias. As greves haviam acabado. Já não tínhamos à frente do Governo um "ladrão" que "roubava" os portugueses. Tínhamos agora um amigo dos portugueses. Aliás, dois. Costa e o seu sorriso, Marcelo e os seus abraços, estavam por todo o lado.  A economia crescia, o desemprego diminuía, havia grande confiança e alegria. Até Portugal foi campeão europeu de futebol! Era tudo obra deste governo (e do Presidente).

Pouco importava se o crescimento fosse em grande parte resultado das medidas do anterior governo. Pouco importava se ele resultasse também de um ciclo económico favorável na Europa e no mundo. Pouco importava se parte do crescimento (e das exportações) se devessem ao turismo que aumentou tremendamente face à ameaça terrorista em muitos dos outros destinos concorrentes.
Pouco importava se tivessem sido decretados impostos, taxas e taxinhas, desde o açucar das bebidas ao Sol nas varandas dos apartamentos.
Pouco importava se tivessem sido decretadas "cativações" que são cortes e austeridade com outro nome (quando o governo percebeu que caso contrário não controlaria o défice).
O que importava era que o povo andava alegre e contente.

E então chegaram o roubo de Tancos e os incêndios. E aí foi um desfilar doloroso (e doloso) de incompetência grotesca deste (des)governo socialista. Quando não bastavam sorrisos e banha da cobra, quando era precisa liderança, capacidade de comando, trabalho duro, este governo mostrou a sua total incompetência.

Costa é um charlatão. É o chefe da banda que acha que não precisa de saber música, bastando gesticular com ar sabichão. É um aldrabão: diz o que as pessoas querem ouvir, mesmo que isso seja mentira. É um político sem grandes princípios: o seu princípio é manter-se no poder, usando de todos os esquemas e subterfúgios para tal.

Se Costa se mantiver no poder daqui a uns anos o País estará semelhante aos tempos socráticos.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

As prioridades do Estado socialista

Uma das áreas mais importantes da soberania de uma nação é a defesa. 

Após a II Guerra Mundial, o mundo bipolar, a capacidade militar da super-potência EUA e o processo de integração europeia da CEE/UE levaram alguns europeus a crer que a era dos exércitos nacionais estava encerrada e que as despesas com a defesa eram mais ou menos supérfluas. Claro que isso não é verdade. Um País com pretensões mínimas de soberania e independência não pode confiar a sua defesa a terceiros, porque as conjunturas, as alianças e os pressupostos da ordem internacional mudam, sendo necessário que a segurança de um povo esteja acautelada antes de mais nada pelas suas forças armadas nacionais.

A decadência das Forças Armadas não é um fenómeno de hoje. A linha geral tem sido de desinvestimento. Têm-nos valido as missões no exterior que sempre mantêm algum nível de prontidão e atualização de equipamentos nas FA, bem como, obviamente, a nossa participação na NATO. No entanto com o presente governo as coisas chegaram ao ponto mais baixo de sempre.

Quando foi noticiado que no Colégio Militar haveria "discriminação" contra alunos homossexuais, a pessoa que foi nomeada ministro da Defesa correu a considerar a situação "inaceitável" e a exigir - em público - explicações ao CEME. Este não esteva para ser achincalhado em público e demitiu-se. 

No entanto o caso do roubo de armamento pesado na base de Tancos pelos vistos já não é tão grave nem inaceitável. Os Chefes de Estado Maior ficam, tal como o seu responsável político. São as prioridades políticas de um Estado socialista.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O complexo militar-industrial

Quais são as razões pelas quais presidentes e governos americanos passam mas as políticas belicistas continuam fundamentalmente as mesmas?

Por que razão se a invasão do Iraque foi um erro (como todos concordam) e a doutrina neoconservadora de mudança de regime se revelou um desastre, Obama (um dos seus maiores críticos) voltou a fazer o mesmo na Líbia?

Porque está o actual governo aparentemente a preparar-se para fazer o mesmo, quando Trump disse na campanha (e bem) que os EUA não tinham que estar envolvidos na guerra na Síria, até porque não era claro quem era quem?

Porque estão todos os democratas e a imprensa a impulsionar esta narrativa acerca da Rússia há meses a fio, promovendo o aumento da tensão e conflitualidade?

Será possível estarem a criar-se condições para uma escalada que leve a uma guerra internacional com a Rússia?

Tudo isto é muito estranho e não é suficientemente discutido por jornalistas e comentadores que, acreditando ser contra-poder mais não fazem do que servir de peões e caixas de ressonância de uma agenda internacional cujas motivações permanecem ocultas.

A situação na Síria é muito delicada. De um lado temos um presidente que manteve o país estável durante muitos anos e alcançou um nível de prosperidade e estabilidade muito significativos (especialmente para a região) mas que agora é parte do problema. Talvez tenha usado métodos brutais na repressão das forças inimigas (que muitos dizem ter sido em grande parte forças invasoras), castigando demasiado os civis. 

O problema é que do outro lado temos os terroristas de praticamente todas as organizações jihadistas sunitas conhecidas. Haverá também oposição "moderada" pelo meio, mas essa será rapidamente silenciada na eventualidade do colapso de Al Assad. Ou seja, temos o espectro e a ameaça do caos caso os rebeldes vencessem a guerra. Uma nova Líbia.

Com a entrada da Rússia na guerra, o regime começou a ter vitórias cada vez mais decisivas. No entanto surgiu a estória, verdadeira ou fabricada, do uso de armas químicas e tudo se voltou a alterar. Os EUA começaram a interferir com as manobras da Rússia/Al Assad e gerou-se novo pico de tensão.

Os EUA ameaçam agora aparentemente atacar a Síria caso armas químicas voltem a ser usadas, o que alegadamente estaria em preparação.

Tudo isto soa muito estranho e faz lembrar certas manobras de desinformação e contra-inteligência, que foram usadas por Hitler para desencadear a II Guerra Mundial. 

E onde está a UE no meio disto?

A promover também a "causa" dos rebeldes sírios e a acusar constantemente a Rússia de todo o tipo de interferência.

A situação é muito perigosa pelo que é fundamental que as populações ocidentais estejam atentas a todas estas manobras. Manobras que acabam sempre por se reflectir no seu bem estar e segurança. Afinal de contas a crise dos refugiados foi causada pelas políticas belicistas da UE e dos EUA tanto na Líbia quanto na Síria. Graças a ela muitas cidades europeias já foram sangradas pelos terroristas e, por muito que se diga o contrário, vivem em permanente medo. 

Não contentes, os políticos ocidentais (e os EUA de Trump parecem prontos a liderar esta nova operação) parecem querer levar as coisas ainda mais longe e promover um conflito aberto com a Rússia a pretexto da Síria. 

Estranhos e perigosos tempos. 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Tempos orwellianos

A manipulação na política é tão antiga quanto as cidades. A escala em que ela começou a ser usada tem porém vindo sempre a aumentar exponencialmente, também como resultado do crescimento demográfico. 

Primeiro a invenção da imprensa permitiu atingir públicos mais vastos. Depois o iluminismo produziu uma doutrina acerca do uso da propaganda e outros meios mais subtis de manipulação das populações. A revolução industrial gerou as ideologias e delas emanaram os regimes totalitários. Nestes a propaganda é usada de forma deliberada, como um instrumento de poder, visando especificamente a defesa do regime e a adesão e controlo das massas.

Com a derrota dos regimes nazi e do comunista não existiam à partida razões para a propaganda: a democracia liberal e o liberalismo económico tinham vencido a guerra mundial militar e ideologicamente. 

A propaganda parecia assim relegada para um plano secundário, usada sobretudo pelas grandes multinacionais para vender os seus produtos ao público. 

No entanto os media de massas são demasiado poderosos para não serem instrumentalizados. E de facto rapidamente o foram.

A manipulação começou certamente antes (há a questão da falsificação dos relatos sobre armas de destruição maciça e a falta de escrutínio da imprensa) mas é com Obama que ela atinge patamares diferentes. Por razões que não vale a pena esmiuçar, Obama foi apoiado quase unanimemente pelos media, de forma completamente aberta e declarada. A coisa foi assumida: muitos jornalistas consideravam e declaravam publicamente que era sua obrigação contribuir para a eleição de Obama. Ora isto é completamente contrário às obrigações e aos deveres deontológicos do jornalismo, nomeadamente os deveres de independência e isenção. Pelo contrário nessa altura os média comportaram-se como agentes políticos e partidários.

No entanto neste momento as coisas subiram um novo grau, um grau muito perigoso. Neste momento os media já não se limitam a ser um pouco mais favoráveis a um político ou partido face a outro: neste momento fabricam notícias falsas, omitem factos e mentem deliberadamente ao público na prossecução do seu objectivo político.

Isto é muito perigoso. Todos compreendemos que os media e as agências noticiosas em geral são compostas por homens, os quais não são isentos de paixões e idiossincrasias. Nessa medida a isenção absoluta é uma impossibilidade. Mas se começamos a perceber que o móbil da acção jornalística já não é a informação e a busca da verdade dos factos mas sim a prossecução de agendas; se começamos a perceber que os jornalistas não são agentes tendencialmente neutros mas agentes políticos que não hesitam em distorcer, omitir, manipular e criar artificialmente narrativas para promover aquilo que acham ser os valores "correctos"; então entramos numa nova fase na qual deixamos de poder acreditar seja no que fôr e deixamos de ter um referencial comum. Nessa fase deixa de haver verdade e deixa de haver diálogo.

Vivemos perigosos tempos orwellianos, na qual uma construção artificial ameaça sobrepor-se à realidade, com o objectivo de manipular as consciências das populações. Como disse noutro momento, a tirania pode estar ao virar da esquina, assim como a guerra.













sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre a histeria com a Rússia

A Rússia prossegue os seus interesses e a sua agenda, tal como a China, a Índia e outros grandes atores globais. Nalguns pontos essa agenda pode ser coincidente com a Europa e os EUA, noutros será de natureza divergente e competitiva.

É seguro que a Rússia utilizará meios não convencionais, meios dissimulados e meios clandestinos para recolher informação e consequentemente reforçar o seu poder. Os EUA fazem-no, a China fá-lo e alguns países da UE também o fazem - isto para já nem falar de países como o Irão ou o Paquistão onde os serviços de informações conduzem operações de larga escala e são agentes fundamentais de política externa.
Nessa medida, a Rússia poderá estar envolvida em acções de hacking no Ocidente e nos EUA em particular. Isso não apenas não me custa nada a acreditar como me parece provável. 

Mas tudo isto é sabido e nada disto é novo. A Rússia "interfere" com os EUA e os seus negócios internos, nomeadamente na frente cibernética, tal como a China. Os próprios EUA o fazem, inclusivamente relativamente a países aliados (vidé o escândalo das escutas realizadas pelos serviços de informações dos EUA a líderes europeus durante o mandato de Obama). 

Uma coisa muito diferente é dizer que a Rússia "interferiu" nas eleições americanas. A acusação é tão vaga como inverificável. Será o "wikileaks" um instrumento de propaganda russa? Não me parece, do mesmo modo que não acredito que Snowden fosse um agente a soldo dos russos. O "wikileaks" denunciou o conluio entre os media e Hillary Clinton, para além da questão do arquivo privado e ilegal que esta mantinha de emails confidenciais. É natural que Clinton não tenha gostado, mas culpar os russos é mais fácil do que assumir as suas faltas.

A investigação sobre as ligações de Trump à Rússia é nesta medida uma manobra de diversão que visa confundir o público. Ninguém no seu perfeito juízo acreditará que Trump é um agente dos russos ou que Jeff Sessions, um senador conservador com 25 anos de Congresso estaria a trabalhar com eles secretamente para subverter a democracia americana. 

Para muitos que odeiam Trump esta "investigação" (que dura há mais de 10 meses e até agora não produziu uma sombra de prova fosse do que fosse) é no entanto bem vinda porque é uma forma de atacar o presidente dos EUA, minando (ainda mais) a sua legitimidade. Outros, ainda mais calculistas e considerando que a agenda de Trump é desastrosa para os EUA e o mundo, percebem que o ruído criado poderá ter o efeito de atrasar ou impedir que aquela agenda venha a ser aplicada como Trump ameaça fazer. (Este será talvez o único político na história a ser acusado de estar realmente a cumprir as suas promessas, apesar de toda a oposição e bloqueios que enfrenta).

Nesta medida, a aparente mudança de foco da investigação (de conluio com os russos - que se está a provar ser uma fantasia - para "obstrução à justiça"; como se pode obstruir uma investigação que não tem substância é algo que gostaria de perceber) visa apenas manter viva uma narrativa que os media e alguns opositores de Trump dentro do próprio governo, com as suas fugas selectivas de informação, têm alimentado nos últimos meses. O objectivo não é o apuramento da verdade mas o desgaste de um presidente eleito democraticamente. 

A questão aqui é a seguinte: já se provou que este ambiente não é são. O ataque de quarta-feira é, na sua forma e método, semelhante a um ataque terrorista. O objectivo era eliminar o maior número possível de congressistas republicanos. O perpetrador era alguém que claramente se deixou radicalizar por uma retórica extremista repetida à saciedade nos media americanos (e não só). As instâncias de violências nas ruas americanas têm-se multiplicado. A questão é pois, completando, esta: considerarão os arquitectos desta campanha que vale a pena continuar a extremar posições, a promover a insurreição e a violência para destituir Trump? Será esse um preço que vale a pena pagar?

Alguns acharão que sim, que estarão a precaver um louco de levar a cabo os seus planos e que estarão a evitar uma terceira guerra mundial. Nesse cenário, qualquer método, incluindo a propaganda e a mentira é legítimo para evitar um mal maior.

A questão é porém mais complexa do que isso. Quem está efectivamente a promover uma retórica crescente contra o país com o maior arsenal nuclear do mundo, exceptuando os EUA, não é Trump. Quem está a promover e incitar uma maior conflitualidade contra os russos, falando em retaliações e actos de guerra em relação à suposta "interferência" não é Trump. Quem tem procurado usar a Síria para escalar um conflito contra a Rússia não é Trump. As alegações de que é Trump que quer começar um novo conflito global parecem portanto pouco realistas, senão pouco honestas. Acresce que um novo conflito a uma escala global poderá ser um conflito diferente, mais do tipo insurreccional, mais do tipo guerra urbana de baixa intensidade, algo que também é bastante claro que não deve ser imputado a Trump mas sim àqueles que acham que uma eleição democrática deve ser revertida através da insurreição das ruas e da violência.

Uma nota final. A Rússia só poderia desejar que Trump ganhasse as eleições se achasse que este era um líder mais fraco do que Clinton, que deixaria os EUA numa posição mais fragilizada no mundo e que portanto deixasse mais espaço à Rússia para projetar a sua influência. Seguramente que a Rússia não apoiaria Trump por este ser mais "simpático" com Putin. Nessa medida, ao fragilizar constantemente o seu Presidente, os media americanos e os seus opositores políticos, estão paradoxalmente a contribuir para tornar reais as intenções que atribuem a Putin e à Rússia. Ou seja, os EUA - e não apenas o seu presidente - estão a sair mais fracos de todo este processo: o país está mais dividido e as instituições políticas (para além dos media) estão a enfrentar uma crise de credibilidade.

Se Putin realmente desejava abalar os EUA, deve estar agora muito contente, a assistir a este triste espectáculo sentado na sua poltrona. Para desestabilizar os EUA nem precisa de empregar gente sua. Americanos em posições de relevo na administração e media, sob o pretexto de estarem a desmascarar agentes russos infiltrados, estão a contribuir para a desestabilização permanente do sistema socio-político norte-americano. 

Se tudo isto é obra de uma maquinação de Putin, a CNN, o NYT e o WP são os seus agentes.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Novo ataque terrorista - culpa e mentira

O terrorismo árabe/islâmico voltou a atacar na Europa e mais uma vez ouvimos o discurso politicamente correcto de desresponsabilização dos culpados e de alerta para os perigos da "xenofobia" e do "crescimento da extrema direita".

Vamos por partes.

Em primeiro lugar os políticos centristas europeus continuam a enterrar a cabeça na areia. O problema está de facto nas populações muçulmanas. Não na totalidade dos seus elementos - era o que mais faltava - mas de uma parte demasiado grande para podermos ignorar o problema.  

A retórica vazia de que "o Islão é uma religião de paz" ou "a maioria dos muçulmanos não são terroristas" equivale a não querer enfrentar uma evidência indisputável e a sujeitar a Europa ao perigo de desintegração.

Entendamo-nos: é evidente que nem todos os muçulmanos são terroristas. É evidente que nem todos os seguidores do Islão defendem uma jihad global e que existem interpretações daquela religião que não requerem massacrar inocentes.

E no entanto o problema persiste...

E persiste por esta razão: há um número assustador de muçulmanos que professam a ideologia da jihad e há um número assustador de muçulmanos que são capazes de actos de uma barbárie indizível.

Mais: existem muitos muçulmanos (eu diria que provavelmente uma maioria de mais de 50%) que embora não pratiquem a jihad directa ou indirectamente são cúmplices pelo silêncio, nada fazendo para evitar actos terroristas, mesmo que deles tenham conhecimento antecipado ou fortes suspeitas. E muitos deles até se comprazem com esses actos contra os "infiéis". E isto pela simples razão de que mais de 90% dos muçulmanos defendem a conversão dos infiéis e aspiram a uma comunidade universal do Islão, se necessário pela força. 

Mas mesmo que assim não fosse, mesmo que a maioria esmagadora dos muçulmanos fossem gente de paz, como distinguiríamos entre eles, nas massas de milhões que emigraram para a Europa nos últimos anos, os que não são? Como separaríamos a população pacífica dos que vêm para praticar o terrorismo e assassinar barbaramente inocentes?

Não distinguimos porque é impossível distinguir. O terrorismo islâmico é um vírus que se consegue manter oculto por períodos grandes de tempo.

Voltando ao discurso político, sustentar que estes acontecimentos estão à margem do Islão e que não há qualquer relação entre atentados e populações muçulmanas é pois um produto que já ultrapassa a dimensão do politicamente correcto e se aproxima perigosamente de uma desculpabilização e branqueamento criminoso das acções terroristas.

Que tem consequências. Nomeadamente a perda de vidas inocentes.

Muitas vezes me questiono se não haverá aqui alguma agenda escondida por parte de políticos que insistem em importar terroristas para os nossos países. Parece haver. As constantes campanhas a favor dos "refugiados", as constantes estórias favoráveis na imprensa, o constante apelo aos nossos sentimentos - se necessário de culpa - perante a tragédia dos refugiados...

E depois a desinformação e a duplicidade dos media. Ainda há uns meses (no anterior atentado) se dizia na TV que "na realidade" este nem era um período de grande terrorismo se olhássemos para os números, uma vez que nos anos 70 as coisas tinham sido piores. Mas os anos 70 e 80 foram os anos de maior terrorismo na Europa! Comparar com o pior para dizer que afinal as coisas nem estão assim tão mal é de uma total desonestidade intelectual. Nem na altura ninguém menorizava ou desculpabilizava o terrorismo, como agora é feito. Esse terrorismo aliás, ao contrário do actual, prosseguia objectivos políticos ou autonómicos identificáveis, tendo sido praticamente erradicado nos nossos dias. Mas mesmo essa comparação é absurda. Os terroristas actuam hoje em todo o mundo e não apenas na Europa, pelo que a contabilidade das vítimas do actual terrorismo islâmico é incomparavelmente mais macabra do que a da ETA, das brigadas vermelhas ou do IRA.

Em menos de dois anos tivemos os atentados do Charlie Hebdo que mataram 12 pessoas, os atentados do Bataclan onde morreram 131 pessoas, o atentado de Nice onde morreram 84 pessoas, os atentados de Bruxelas em que morreram pelo menos 35 pessoas, os atentados de Berlim, Londres e São Petersburgo, o presente atentado de Manchester e mais múltiplos ataques isolados com machados, facas e outras armas ligeiras. Para além dos mortos houve centenas de feridos, muitos deles gravíssimos. Isto só na Europa, sem sequer aqui incluir a Turquia. Nos EUA tivemos os atentados de São Bernardino (14 mortos, 22 feridos) e na discoteca gay em Orlando (49 mortos, 53 feridos). Se acrescentássemos África e Ásia (incluindo Médio Oriente) a lista era praticamente infindável. Um site que lista os ataques totalizou no ano passado 2402 ataques e 21242 mortos...

A sugestão de que afinal de contas isto é tudo um problema de percepção é uma perfeita falsidade.

Quem professa essas desonestidades é simplesmente estúpido ou verdadeiramente perverso?

O problema é gravíssimo e se não forem tomadas medidas só se agravará. A mais evidente e exequível é parar de imediato o influxo de terroristas para a Europa e começar rapidamente a deportar e repatriar todos os suspeitos.

Carlos Moedas, comissário europeu, declarou que o problema não se resolve com soluções nacionais ou nacionalistas mas com maior cooperação internacional. A sério? Vindo de um responsável europeu esta asserção é no mínimo irónica. Mas quem impede esta cooperação? Quem não está a fazer a cooperação?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A herança desgraçada de Obama

Esperança e mudança - as promessas


Obama apresentou-se em 2008 como o candidato da mudança e da esperança, fazendo milhões acreditar numa quase messiânica era de paz no mundo. A felicidade parecia ao virar da esquina.

Obama prometeu um sistema de saúde para todos os americanos, terminar a guerra no Iraque, resolver os problemas internacionais pelo diálogo, encerrar Guantanamo nos primeiros 100 dias de presidência, unir os EUA e  promover entendimentos bipartidários.

O mundo congratulava-se com a eleição do primeiro presidente negro e a Academia de Oslo agraciou-o com o Nobel da Paz.

O (pesado) legado de Bush


O 11 de setembro inaugurou uma nova era de terrorismo global e apocalíptico. O ataque gerou uma onda mundial de solidariedade com os americanos e uma ampla coligação interveio no Afeganistão, desalojando o regime talibã apoiante de Bin Laden. A intervenção no Iraque alienou porém esse apoio internacional e criou enorme tensão internacional. Após a invasão o Iraque rapidamente entrou em estado de sítio, vítima de atentados diários e em acentuada fragmentação. O pior só não se verificou porque em 2007 o aumento do número de tropas americanas conseguiu conter a violência sectária e a ameaça terrorista.
Para além disso houve as questões da tortura e da comprovada falsidade ou mesmo falsificação das "provas" acerca das armas de destruição maciça no Iraque.
No fim do mandato de Bush, a sua popularidade estava em mínimos históricos e o prestígio dos EUA estava fortemente abalado.

As políticas de Obama


Obama manteve-se fiel à ideia de terminar a operação e retirar as tropas do Iraque. Procurou promover a restauração de boas relações com vários países, nomeadamente europeus, tendo sido recebido em vários países como um herói.

Também prestou atenção ao mundo árabe, com visitas emblemáticas à Arábia Saudita e ao Cairo. Nesta capital Obama fez um discurso "histórico".

Em relação à Rússia, Obama tentou apaziguar a relação bilateral (no tempo de George Bush ao a Rússia tinha invadido a Geórgia, ocupando a Ossétia do Sul e a Abcásia em agosto de 2008). Clinton, então Secretária de Estado, produziu a monumental gaffe de entregar ao seu homólogo russo um interruptor que simbolizaria o recomeço das relações bilaterais, supostamente com a legenda "reset" ("recomeço") em russo. O problema é que os tradutores do Departamento de Estado se enganaram e em vez de "reset" escreveram "sobrecarga". Era difícil começar pior, ao demonstrar tamanha incúria.

O encerramento de Guantanamo por outro lado ia sendo adiado, por complicações legais, de segurança e a oposição e obstruções colocadas pelo Congresso.

No plano interno, um ambicioso programa de injecção de dinheiro na economia produzia resultados modestos em termos de crescimento mas a medida mais emblemática (o "Obamacare") ia ganhando forma, acabando por ser aprovado no Senado na véspera de Natal de 2009 e assinado pelo Presidente em março de 2010.

Com o passar do tempo Obama adoptou políticas progressivamente mais liberais (no sentido americano da palavra), nomeadamente no plano cultural ou civilizacional. 

A carta fora do baralho ou o génio saído da lâmpada


Após anúncios prematuros de uma nova era de Paz perpétua inaugurada por Obama, um acontecimento na Tunísia espoletou um turbilhão de caos e violência que se prolonga até hoje com consequências imprevisíveis. A Primavera Árabe gerou vários conflitos e guerras civis mas sobretudo tirou dois génios malignos para fora da lâmpada: a guerra da Síria e o ISIS.

A herança Obama


Internamente as políticas de Obama apresentam resultados misto. Se na economia há indicadores que parecem positivos, é inegável que os EUA são hoje um país mais dividido. 

Parte da divisão assenta em tensões raciais, as maiores em décadas.  A "era pós-racial" é afinal uma era muito mais polarizada e que enfatiza permanentemente o elemento racial. O que é espantoso, atendendo às promessas de Obama de unidade e conciliação . 

No plano externo, Obama presidiu à execução de Bin Laden.

Mas este sucesso é bastante ofuscado pelo aparecimento do ISIS que assumiu o controlo de várias porções de território no Médio Oriente, nomeadamente no Iraque, onde talvez a retirada americana de cena tenha sido precipitada, deixando um vazio de poder. Também no Afeganistão os talibãs ameaçam novamente tomar partes do país.

E se é verdade que não houve nos EUA atentados terroristas de larga escala com envolvimento internacional, não deixaram de se verificar diversos ataques que provocaram centenas de vítimas (Fort Hood, Boston, San Bernardino e Orlando, entre outros).

Os resultados de Obama no Médio Oriente são desastrosos. O processo de paz está parado há anos sem qualquer avanço ou entendimento entre as partes. Como se isto não bastasse, Obama decidiu atacar Israel nas últimas semanas de mandato, promovendo uma condenação hipócrita, injusta e completamente deslocada na ONU. A relação com Israel - e os judeus em geral - atingiu o seu ponto mais baixo.

Na Síria Obama perdeu em toda a linha, deu o dito por não dito, não conseguiu derrubar Al Assad (objectivo em si mesmo mais que discutível)  e viu a Rússia assumir o controlo da situação.

A Líbia é hoje um estado falhado. Obama e Clinton fizeram naquele país o que Bush fizera no Iraque (a doutrina neo-conservadora das mudanças de regime), com resultados parecidos - desastrosos.

Obama alcançou um acordo nuclear com o Irão que atrasa mas não impede os iranianos de produzir a bomba atómica. Parece-me que o Irão, que viu levantadas as sanções e recebeu ainda generosos fundos, levou claramente a melhor neste acordo.

No extremo oriente a China tem continuado a sua política agressiva de reclamar soberania em todo o Mar do Sul da China e militarizar ilhas disputadas, forçando os países vizinhos a conformarem-se à sua ordem regional. Só os EUA podem colocar em cheque estas pretensões chinesas. Não o fizeram de forma clara nos anos anteriores e não o fizeram durante o mandato de Obama.

Numa altura em que muçulmanos assassinam de forma bárbara inocentes todos os dias em todo o mundo (apesar dos milhões gastos pelos países ocidentais em prevenção, policiamento e serviços secretos), condenar Israel, uma das principais vítimas do terrorismo, é um acto irresponsável e absurdo que no entanto espelha bem as convicções de Obama.

Nas últimas semanas Obama está a mostrar quem é realmente, deixando transparecer as suas convicções ideológicas profundas. Antes de sair da Casa Branca, Obama, despeitado pelos resultados eleitorais, está a tentar condicionar o seu sucessor de uma forma nunca vista no passado. Obama que sempre foi fraco com os verdadeiramente maus, como os terroristas muçulmanos que sempre desculpou de uma ou de outra forma (nem sequer referia a expressão), é agora extremamente firme contra Israel e a Rússia.

Ao contrário de tudo o que se pintou, Obama é uma pessoa pequenina, mesquinha, guiada por uma ideologia falha e pelo seu próprio ego. Um pouco ao estilo dos líderes africanos. Ora em política, sobretudo externa, os móbeis da acção têm que ser estratégicos, não ideológicos e muito menos pessoais.

Obama já vai tarde. Esperemos apenas que não cause ainda mais danos na estabilidade internacional nas semanas que lhe restam. A sua deriva ideológica tem sido cada vez maior e mais irresponsável. Esperemos que os últimos dias não tragam mais surpresas desagradáveis.