sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre a histeria com a Rússia

A Rússia prossegue os seus interesses e a sua agenda, tal como a China, a Índia e outros grandes atores globais. Nalguns pontos essa agenda pode ser coincidente com a Europa e os EUA, noutros será de natureza divergente e competitiva.

É seguro que a Rússia utilizará meios não convencionais, meios dissimulados e meios clandestinos para recolher informação e consequentemente reforçar o seu poder. Os EUA fazem-no, a China fá-lo e alguns países da UE também o fazem - isto para já nem falar de países como o Irão ou o Paquistão onde os serviços de informações conduzem operações de larga escala e são agentes fundamentais de política externa.
Nessa medida, a Rússia poderá estar envolvida em acções de hacking no Ocidente e nos EUA em particular. Isso não apenas não me custa nada a acreditar como me parece provável. 

Mas tudo isto é sabido e nada disto é novo. A Rússia "interfere" com os EUA e os seus negócios internos, nomeadamente na frente cibernética, tal como a China. Os próprios EUA o fazem, inclusivamente relativamente a países aliados (vidé o escândalo das escutas realizadas pelos serviços de informações dos EUA a líderes europeus durante o mandato de Obama). 

Uma coisa muito diferente é dizer que a Rússia "interferiu" nas eleições americanas. A acusação é tão vaga como inverificável. Será o "wikileaks" um instrumento de propaganda russa? Não me parece, do mesmo modo que não acredito que Snowden fosse um agente a soldo dos russos. O "wikileaks" denunciou o conluio entre os media e Hillary Clinton, para além da questão do arquivo privado e ilegal que esta mantinha de emails confidenciais. É natural que Clinton não tenha gostado, mas culpar os russos é mais fácil do que assumir as suas faltas.

A investigação sobre as ligações de Trump à Rússia é nesta medida uma manobra de diversão que visa confundir o público. Ninguém no seu perfeito juízo acreditará que Trump é um agente dos russos ou que Jeff Sessions, um senador conservador com 25 anos de Congresso estaria a trabalhar com eles secretamente para subverter a democracia americana. 

Para muitos que odeiam Trump esta "investigação" (que dura há mais de 10 meses e até agora não produziu uma sombra de prova fosse do que fosse) é no entanto bem vinda porque é uma forma de atacar o presidente dos EUA, minando (ainda mais) a sua legitimidade. Outros, ainda mais calculistas e considerando que a agenda de Trump é desastrosa para os EUA e o mundo, percebem que o ruído criado poderá ter o efeito de atrasar ou impedir que aquela agenda venha a ser aplicada como Trump ameaça fazer. (Este será talvez o único político na história a ser acusado de estar realmente a cumprir as suas promessas, apesar de toda a oposição e bloqueios que enfrenta).

Nesta medida, a aparente mudança de foco da investigação (de conluio com os russos - que se está a provar ser uma fantasia - para "obstrução à justiça"; como se pode obstruir uma investigação que não tem substância é algo que gostaria de perceber) visa apenas manter viva uma narrativa que os media e alguns opositores de Trump dentro do próprio governo, com as suas fugas selectivas de informação, têm alimentado nos últimos meses. O objectivo não é o apuramento da verdade mas o desgaste de um presidente eleito democraticamente. 

A questão aqui é a seguinte: já se provou que este ambiente não é são. O ataque de quarta-feira é, na sua forma e método, semelhante a um ataque terrorista. O objectivo era eliminar o maior número possível de congressistas republicanos. O perpetrador era alguém que claramente se deixou radicalizar por uma retórica extremista repetida à saciedade nos media americanos (e não só). As instâncias de violências nas ruas americanas têm-se multiplicado. A questão é pois, completando, esta: considerarão os arquitectos desta campanha que vale a pena continuar a extremar posições, a promover a insurreição e a violência para destituir Trump? Será esse um preço que vale a pena pagar?

Alguns acharão que sim, que estarão a precaver um louco de levar a cabo os seus planos e que estarão a evitar uma terceira guerra mundial. Nesse cenário, qualquer método, incluindo a propaganda e a mentira é legítimo para evitar um mal maior.

A questão é porém mais complexa do que isso. Quem está efectivamente a promover uma retórica crescente contra o país com o maior arsenal nuclear do mundo, exceptuando os EUA, não é Trump. Quem está a promover e incitar uma maior conflitualidade contra os russos, falando em retaliações e actos de guerra em relação à suposta "interferência" não é Trump. Quem tem procurado usar a Síria para escalar um conflito contra a Rússia não é Trump. As alegações de que é Trump que quer começar um novo conflito global parecem portanto pouco realistas, senão pouco honestas. Acresce que um novo conflito a uma escala global poderá ser um conflito diferente, mais do tipo insurreccional, mais do tipo guerra urbana de baixa intensidade, algo que também é bastante claro que não deve ser imputado a Trump mas sim àqueles que acham que uma eleição democrática deve ser revertida através da insurreição das ruas e da violência.

Uma nota final. A Rússia só poderia desejar que Trump ganhasse as eleições se achasse que este era um líder mais fraco do que Clinton, que deixaria os EUA numa posição mais fragilizada no mundo e que portanto deixasse mais espaço à Rússia para projetar a sua influência. Seguramente que a Rússia não apoiaria Trump por este ser mais "simpático" com Putin. Nessa medida, ao fragilizar constantemente o seu Presidente, os media americanos e os seus opositores políticos, estão paradoxalmente a contribuir para tornar reais as intenções que atribuem a Putin e à Rússia. Ou seja, os EUA - e não apenas o seu presidente - estão a sair mais fracos de todo este processo: o país está mais dividido e as instituições políticas (para além dos media) estão a enfrentar uma crise de credibilidade.

Se Putin realmente desejava abalar os EUA, deve estar agora muito contente, a assistir a este triste espectáculo sentado na sua poltrona. Para desestabilizar os EUA nem precisa de empregar gente sua. Americanos em posições de relevo na administração e media, sob o pretexto de estarem a desmascarar agentes russos infiltrados, estão a contribuir para a desestabilização permanente do sistema socio-político norte-americano. 

Se tudo isto é obra de uma maquinação de Putin, a CNN, o NYT e o WP são os seus agentes.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Novo ataque terrorista - culpa e mentira

O terrorismo árabe/islâmico voltou a atacar na Europa e mais uma vez ouvimos o discurso politicamente correcto de desresponsabilização dos culpados e de alerta para os perigos da "xenofobia" e do "crescimento da extrema direita".

Vamos por partes.

Em primeiro lugar os políticos centristas europeus continuam a enterrar a cabeça na areia. O problema está de facto nas populações muçulmanas. Não na totalidade dos seus elementos - era o que mais faltava - mas de uma parte demasiado grande para podermos ignorar o problema.  

A retórica vazia de que "o Islão é uma religião de paz" ou "a maioria dos muçulmanos não são terroristas" equivale a não querer enfrentar uma evidência indisputável e a sujeitar a Europa ao perigo de desintegração.

Entendamo-nos: é evidente que nem todos os muçulmanos são terroristas. É evidente que nem todos os seguidores do Islão defendem uma jihad global e que existem interpretações daquela religião que não requerem massacrar inocentes.

E no entanto o problema persiste...

E persiste por esta razão: há um número assustador de muçulmanos que professam a ideologia da jihad e há um número assustador de muçulmanos que são capazes de actos de uma barbárie indizível.

Mais: existem muitos muçulmanos (eu diria que provavelmente uma maioria de mais de 50%) que embora não pratiquem a jihad directa ou indirectamente são cúmplices pelo silêncio, nada fazendo para evitar actos terroristas, mesmo que deles tenham conhecimento antecipado ou fortes suspeitas. E muitos deles até se comprazem com esses actos contra os "infiéis". E isto pela simples razão de que mais de 90% dos muçulmanos defendem a conversão dos infiéis e aspiram a uma comunidade universal do Islão, se necessário pela força. 

Mas mesmo que assim não fosse, mesmo que a maioria esmagadora dos muçulmanos fossem gente de paz, como distinguiríamos entre eles, nas massas de milhões que emigraram para a Europa nos últimos anos, os que não são? Como separaríamos a população pacífica dos que vêm para praticar o terrorismo e assassinar barbaramente inocentes?

Não distinguimos porque é impossível distinguir. O terrorismo islâmico é um vírus que se consegue manter oculto por períodos grandes de tempo.

Voltando ao discurso político, sustentar que estes acontecimentos estão à margem do Islão e que não há qualquer relação entre atentados e populações muçulmanas é pois um produto que já ultrapassa a dimensão do politicamente correcto e se aproxima perigosamente de uma desculpabilização e branqueamento criminoso das acções terroristas.

Que tem consequências. Nomeadamente a perda de vidas inocentes.

Muitas vezes me questiono se não haverá aqui alguma agenda escondida por parte de políticos que insistem em importar terroristas para os nossos países. Parece haver. As constantes campanhas a favor dos "refugiados", as constantes estórias favoráveis na imprensa, o constante apelo aos nossos sentimentos - se necessário de culpa - perante a tragédia dos refugiados...

E depois a desinformação e a duplicidade dos media. Ainda há uns meses (no anterior atentado) se dizia na TV que "na realidade" este nem era um período de grande terrorismo se olhássemos para os números, uma vez que nos anos 70 as coisas tinham sido piores. Mas os anos 70 e 80 foram os anos de maior terrorismo na Europa! Comparar com o pior para dizer que afinal as coisas nem estão assim tão mal é de uma total desonestidade intelectual. Nem na altura ninguém menorizava ou desculpabilizava o terrorismo, como agora é feito. Esse terrorismo aliás, ao contrário do actual, prosseguia objectivos políticos ou autonómicos identificáveis, tendo sido praticamente erradicado nos nossos dias. Mas mesmo essa comparação é absurda. Os terroristas actuam hoje em todo o mundo e não apenas na Europa, pelo que a contabilidade das vítimas do actual terrorismo islâmico é incomparavelmente mais macabra do que a da ETA, das brigadas vermelhas ou do IRA.

Em menos de dois anos tivemos os atentados do Charlie Hebdo que mataram 12 pessoas, os atentados do Bataclan onde morreram 131 pessoas, o atentado de Nice onde morreram 84 pessoas, os atentados de Bruxelas em que morreram pelo menos 35 pessoas, os atentados de Berlim, Londres e São Petersburgo, o presente atentado de Manchester e mais múltiplos ataques isolados com machados, facas e outras armas ligeiras. Para além dos mortos houve centenas de feridos, muitos deles gravíssimos. Isto só na Europa, sem sequer aqui incluir a Turquia. Nos EUA tivemos os atentados de São Bernardino (14 mortos, 22 feridos) e na discoteca gay em Orlando (49 mortos, 53 feridos). Se acrescentássemos África e Ásia (incluindo Médio Oriente) a lista era praticamente infindável. Um site que lista os ataques totalizou no ano passado 2402 ataques e 21242 mortos...

A sugestão de que afinal de contas isto é tudo um problema de percepção é uma perfeita falsidade.

Quem professa essas desonestidades é simplesmente estúpido ou verdadeiramente perverso?

O problema é gravíssimo e se não forem tomadas medidas só se agravará. A mais evidente e exequível é parar de imediato o influxo de terroristas para a Europa e começar rapidamente a deportar e repatriar todos os suspeitos.

Carlos Moedas, comissário europeu, declarou que o problema não se resolve com soluções nacionais ou nacionalistas mas com maior cooperação internacional. A sério? Vindo de um responsável europeu esta asserção é no mínimo irónica. Mas quem impede esta cooperação? Quem não está a fazer a cooperação?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A herança desgraçada de Obama

Esperança e mudança - as promessas


Obama apresentou-se em 2008 como o candidato da mudança e da esperança, fazendo milhões acreditar numa quase messiânica era de paz no mundo. A felicidade parecia ao virar da esquina.

Obama prometeu um sistema de saúde para todos os americanos, terminar a guerra no Iraque, resolver os problemas internacionais pelo diálogo, encerrar Guantanamo nos primeiros 100 dias de presidência, unir os EUA e  promover entendimentos bipartidários.

O mundo congratulava-se com a eleição do primeiro presidente negro e a Academia de Oslo agraciou-o com o Nobel da Paz.

O (pesado) legado de Bush


O 11 de setembro inaugurou uma nova era de terrorismo global e apocalíptico. O ataque gerou uma onda mundial de solidariedade com os americanos e uma ampla coligação interveio no Afeganistão, desalojando o regime talibã apoiante de Bin Laden. A intervenção no Iraque alienou porém esse apoio internacional e criou enorme tensão internacional. Após a invasão o Iraque rapidamente entrou em estado de sítio, vítima de atentados diários e em acentuada fragmentação. O pior só não se verificou porque em 2007 o aumento do número de tropas americanas conseguiu conter a violência sectária e a ameaça terrorista.
Para além disso houve as questões da tortura e da comprovada falsidade ou mesmo falsificação das "provas" acerca das armas de destruição maciça no Iraque.
No fim do mandato de Bush, a sua popularidade estava em mínimos históricos e o prestígio dos EUA estava fortemente abalado.

As políticas de Obama


Obama manteve-se fiel à ideia de terminar a operação e retirar as tropas do Iraque. Procurou promover a restauração de boas relações com vários países, nomeadamente europeus, tendo sido recebido em vários países como um herói.

Também prestou atenção ao mundo árabe, com visitas emblemáticas à Arábia Saudita e ao Cairo. Nesta capital Obama fez um discurso "histórico".

Em relação à Rússia, Obama tentou apaziguar a relação bilateral (no tempo de George Bush ao a Rússia tinha invadido a Geórgia, ocupando a Ossétia do Sul e a Abcásia em agosto de 2008). Clinton, então Secretária de Estado, produziu a monumental gaffe de entregar ao seu homólogo russo um interruptor que simbolizaria o recomeço das relações bilaterais, supostamente com a legenda "reset" ("recomeço") em russo. O problema é que os tradutores do Departamento de Estado se enganaram e em vez de "reset" escreveram "sobrecarga". Era difícil começar pior, ao demonstrar tamanha incúria.

O encerramento de Guantanamo por outro lado ia sendo adiado, por complicações legais, de segurança e a oposição e obstruções colocadas pelo Congresso.

No plano interno, um ambicioso programa de injecção de dinheiro na economia produzia resultados modestos em termos de crescimento mas a medida mais emblemática (o "Obamacare") ia ganhando forma, acabando por ser aprovado no Senado na véspera de Natal de 2009 e assinado pelo Presidente em março de 2010.

Com o passar do tempo Obama adoptou políticas progressivamente mais liberais (no sentido americano da palavra), nomeadamente no plano cultural ou civilizacional. 

A carta fora do baralho ou o génio saído da lâmpada


Após anúncios prematuros de uma nova era de Paz perpétua inaugurada por Obama, um acontecimento na Tunísia espoletou um turbilhão de caos e violência que se prolonga até hoje com consequências imprevisíveis. A Primavera Árabe gerou vários conflitos e guerras civis mas sobretudo tirou dois génios malignos para fora da lâmpada: a guerra da Síria e o ISIS.

A herança Obama


Internamente as políticas de Obama apresentam resultados misto. Se na economia há indicadores que parecem positivos, é inegável que os EUA são hoje um país mais dividido. 

Parte da divisão assenta em tensões raciais, as maiores em décadas.  A "era pós-racial" é afinal uma era muito mais polarizada e que enfatiza permanentemente o elemento racial. O que é espantoso, atendendo às promessas de Obama de unidade e conciliação . 

No plano externo, Obama presidiu à execução de Bin Laden.

Mas este sucesso é bastante ofuscado pelo aparecimento do ISIS que assumiu o controlo de várias porções de território no Médio Oriente, nomeadamente no Iraque, onde talvez a retirada americana de cena tenha sido precipitada, deixando um vazio de poder. Também no Afeganistão os talibãs ameaçam novamente tomar partes do país.

E se é verdade que não houve nos EUA atentados terroristas de larga escala com envolvimento internacional, não deixaram de se verificar diversos ataques que provocaram centenas de vítimas (Fort Hood, Boston, San Bernardino e Orlando, entre outros).

Os resultados de Obama no Médio Oriente são desastrosos. O processo de paz está parado há anos sem qualquer avanço ou entendimento entre as partes. Como se isto não bastasse, Obama decidiu atacar Israel nas últimas semanas de mandato, promovendo uma condenação hipócrita, injusta e completamente deslocada na ONU. A relação com Israel - e os judeus em geral - atingiu o seu ponto mais baixo.

Na Síria Obama perdeu em toda a linha, deu o dito por não dito, não conseguiu derrubar Al Assad (objectivo em si mesmo mais que discutível)  e viu a Rússia assumir o controlo da situação.

A Líbia é hoje um estado falhado. Obama e Clinton fizeram naquele país o que Bush fizera no Iraque (a doutrina neo-conservadora das mudanças de regime), com resultados parecidos - desastrosos.

Obama alcançou um acordo nuclear com o Irão que atrasa mas não impede os iranianos de produzir a bomba atómica. Parece-me que o Irão, que viu levantadas as sanções e recebeu ainda generosos fundos, levou claramente a melhor neste acordo.

No extremo oriente a China tem continuado a sua política agressiva de reclamar soberania em todo o Mar do Sul da China e militarizar ilhas disputadas, forçando os países vizinhos a conformarem-se à sua ordem regional. Só os EUA podem colocar em cheque estas pretensões chinesas. Não o fizeram de forma clara nos anos anteriores e não o fizeram durante o mandato de Obama.

Numa altura em que muçulmanos assassinam de forma bárbara inocentes todos os dias em todo o mundo (apesar dos milhões gastos pelos países ocidentais em prevenção, policiamento e serviços secretos), condenar Israel, uma das principais vítimas do terrorismo, é um acto irresponsável e absurdo que no entanto espelha bem as convicções de Obama.

Nas últimas semanas Obama está a mostrar quem é realmente, deixando transparecer as suas convicções ideológicas profundas. Antes de sair da Casa Branca, Obama, despeitado pelos resultados eleitorais, está a tentar condicionar o seu sucessor de uma forma nunca vista no passado. Obama que sempre foi fraco com os verdadeiramente maus, como os terroristas muçulmanos que sempre desculpou de uma ou de outra forma (nem sequer referia a expressão), é agora extremamente firme contra Israel e a Rússia.

Ao contrário de tudo o que se pintou, Obama é uma pessoa pequenina, mesquinha, guiada por uma ideologia falha e pelo seu próprio ego. Um pouco ao estilo dos líderes africanos. Ora em política, sobretudo externa, os móbeis da acção têm que ser estratégicos, não ideológicos e muito menos pessoais.

Obama já vai tarde. Esperemos apenas que não cause ainda mais danos na estabilidade internacional nas semanas que lhe restam. A sua deriva ideológica tem sido cada vez maior e mais irresponsável. Esperemos que os últimos dias não tragam mais surpresas desagradáveis.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Esquerda defende censura e guerra

As ondas de choque da derrota de Clinton ainda se fazem sentir.
A desilusão da derrota, quando a vitória já tinha sido anunciada e o fogo de artifício teve que ser recolhido, fez vir à tona os instintos mais básicos de muitos "democratas".

Primeiro foram as manifestações. Muitos argumentaram que as manifestações eram legítimas no quadro da liberdade de expressão. Mas este argumento é dissimulado, para não dizer desonesto. As eleições são a expressão da vontade do povo (ou da vontade dos Estados num sistema de colégio eleitoral, como é o caso dos EUA). Fazer demonstrações de força nas ruas contra o resultado de eleições livres é contrário o espírito da própria democracia. Aliás isso ficou bem patente quando as manifestações rapidamente degeneraram em violência.

Depois foram as recontagens: sem qualquer base factual, uma candidata que objectivamente foi irrelevante nestas eleições veio lançar suspeitas e reclamar recontagens em três Estados, com o único propósito de beliscar a vitória clara de Trump. 

Depois foram as "falsas notícias": supostamente o povo teria sido influenciado no seu sentido de voto por "falsas notícias". Estas seriam também uma ameaça à democracia e à própria segurança dos cidadãos. 

É engraçado que as "ameaças à democracia" variam no seu conteúdo, com uma única constante: nunca vêm da esquerda. Isto é curioso porque quando Trump não se comprometeu a aceitar uma eventual derrota eleitoral (dizendo que teria que olhar para os resultados e que só se estes fossem claros é que concederia a derrota de imediato), Clinton e os média acusaram-no de um "atentado contra a democracia", de um desrespeito pela tradição e pelo funcionamento do sistema americano. Mas quando Trump venceu com resultados claríssimos (uma maioria de 306 eleitores, quando necessitava apenas de 270), a ameaça à democracia deixa de ser não reconhecer os resultados (as manifestações, os pedidos de recontagem, tudo é legítimo) mas passa a incidir nas "falsas notícias" e... nos russos.

Ainda sobre as falsas notícias, é de notar o desejo - já nem disfarçado - de censurar a net. Por aí se vê a duplicidade dos esquerdistas. Aqui já não se coloca a questão da liberdade de expressão... O Facebook (que já aderira na China à política de censura imposta pelo Partido Comunista) já anunciou que irá cumprir com as directrizes da esquerda e que começará a recorrer a organizações parciais e conotadas com a esquerda para fazer a triagem do que é verdadeiro e falso. 

A última e talvez mais irresponsável das tentativas da esquerda para subverter o resultado das eleições é a de acusar os russos de terem sequestrado as instituições democráticas americanas para beneficiar Trump. Esta acusação é de uma irresponsabilidade e de um ridículo sem limites. Primeiro porque, como Putin ironizou, os EUA  não são, que se saiba, uma república das bananas na qual as instituições estejam à mercê de manipulação por poderes estrangeiros. Segundo porque acusar um país importante como a Rússia de um acto hostil, fazendo uso de uma retórica inflamatória nunca seria aconselhável, ainda que existissem provas conclusivas - que não existem - que a Rússia realmente é responsável por um acto de intrusão cibernética. 

Não existem quaisquer provas de que os emails divulgados pelo Wikileaks tenham sido fornecidos pela Rússia a esta organização. Assange nega-o. E é apenas a propósito da divulgação de emails (emails de membros da campanha de Clinton) que todo este barulho está a ser feito. 

A acusação de "influenciar as eleições" é tanto mais patética quanto quase todos os líderes europeus tentaram abertamente influenciar as eleições americanas, manifestando repúdio por Donald Trump. 

Mas as coisas assumem realmente uma gravidade extrema quando, levados por esta espiral paranóica, alguns democratas começam a fazer declarações inflamatórias e a sugerir que os EUA deveriam retaliar contra a Rússia. Keith Olberman, um furioso democrata cujas tiradas demagógicas e extremistas levaram a que até a MSNBC achasse demasiado e o demitisse, declarou há dias num canal do youtube que os EUA estão em guerra com a Rússia. 

A Rússia, tal como a China, são potências em relação às quais é necessário medir bem os passos antes de os dar. Tanto Bush como Obama perceberam que uma confrontação directa com a Rússia era impensável e evitaram-na, ainda que tenham tido que recuar. Retórica que compromete os EUA com posições agressivas em relação à Rússia só pode ter duas consequências: uma guerra global e possivelmente nuclear ou um recuo humilhante dos EUA. Os russos devem ser mantidos em cheque e não lhes deve ser permitido trespassar as linhas geoestratégicas ocidentais. Mas não se deve tentar encurralar e atacar directamente a Rússia. Putin e o povo russo não deixariam de responder. 





quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A espiral paranóica da esquerda

A vitória de Trump - como a vitória do Brexit - são acontecimentos que, de acordo com a esquerda e os media que a sustentam, não deveriam ter acontecido. 

Por isso é preciso encontrar explicações para o que se passou, perceber o que "correu mal".

Depois dos ataques velados aos eleitores "brancos" (poderemos considerá-los racistas, ou essa palavra só tem conteúdo quando é usada pela esquerda?) e dos ataques às populações rurais e não licenciadas (haverá aqui alguma ponta de elitismo e classismo?), os grandes educadores das massas dos nossos dias já encontraram o verdadeiro culpado: a Rússia.

Parece mentira, parece inconcebível, parece caricatural mas é mesmo verdade: grandes sectores da esquerda americana e até europeia pelos vistos acreditam e querem realmente fazer-nos crer que a Rússia e uma legião de hackers por ela controlados não apenas manipularam o eleitorado americano com "falsas notícias" como chegaram até às remotas máquinas de voto electrónico em condados perdidos dos Estados Unidos e alteraram o sentido de voto dos americanos.

É grotesco, parece saído das mais desacreditadas mentes conspirativas, mas é realmente aquilo em que muitos liberais acreditam. A Rússia é agora o seu papão, numa escala bem superior àquela em que consideravam a União Soviética uma ameaça no auge da guerra fria e perante o perigo real de conflagração nuclear. 

O ridículo não tem limites.

E no entanto poucas são as vozes que encontramos no espaço público a denunciarem este absurdo. As razões para tal não são difíceis de compreender e chegaremos a elas, mas concentremo-nos por agora nas alegações que são feitas. 


As "notícias falsas". 


Muitos se indignaram nas últimas semanas contra as "notícias falsas" que pululam pela internet e sobretudo as redes sociais por estes dias. Até um cronista prestigiado como David Ignatius do "Washington Post" lhe dedicou um artigo por estes dias, ligando-as à Rússia e à sua "propaganda".

Vejamos: existem "notícias falsas" hoje, como existem há muito tempo. Na era da informação instantânea, a internet promove a difusão de falsidades do mesmo modo que promove as "indignações" sem substância ou mesmo calúnias que se propagam de forma "viral". Esse é um dos perigos da internet que tantos de nós identificaram há já muito tempo.

As "notícias falsas" vêm porém dos mais variados sectores e têm os mais diversos objectivos, desde a propaganda política a fins puramente comerciais. Tal como acontece com outros conteúdos, falsos ou não, desde as "cadeias de email" aos vídeos partilhados. A internet potencia todos esses fenómenos.

Pretender culpar a Rússia por algo que essencialmente é da natureza mesma da internet é um sofisma. O regime de Putin será certamente culpado de muita coisa mas sustentar que este orquestrou uma campanha de "falsas notícias" com o intuito de prejudicar Clinton e que tal campanha teria sido decisiva para a vitória de Trump, é fazer de todos nós (e não apenas dos eleitores) parvos.

O problema aqui é outro - e as vozes que se levantam contra as "falsas notícias" no fundo sabem-no bem. 

O problema é que a esquerda de repente começa a sentir que o seu controlo dos media está a ser posto em causa por uma direita mais agressiva e que para ter voz recorre a meios alternativos - sobretudo a internet. Não tendo os meios bilionários de que dispõem as CNN's e afins (nos EUA a esquerda só não tem o monopólio completo dos media porque existe a Fox News), a direita recorre hoje cada vez mais à internet, verificando-se fenómenos de popularidade como o Breibart News (do agora anatematizado Steve Bannon).

Ora, habituada a controlar o fluxo da informação, a esquerda não gosta deste novo cenário que a vitória de Trump expôs em larga medida: como foi possível que apesar da cobertura negativa permanente, um fluxo ininterrupto de ataques e desqualificações dos media liberais ocidentais contra Trump, a população americana tivesse votado maciçamente neste homem? Onde estavam os apoiantes de Trump que não se faziam ouvir? Certamente não nos media tradicionais... Daí a caça às bruxas e os papões da Rússia e das notícias falsas.

A "preocupação" da esquerda com as "notícias falsas" é por isso algo contra o que precisamos de nos precaver e escudar: é apenas uma forma de tentar  censurar a internet e basicamente silenciar toda a opinião que escape ao unanimismo que quase se verifica já nos media tradicionais. Nenhuma dose de "notícias falsas", supostamente criadas para beneficiar Trump (alegação que em si mesma parece configurar uma "notícia falsa"), seria suficiente para suplantar o fogo cerrado contra Trump que os media dispararam  neste ciclo eleitoral norte-americano (e continuam a disparar).

Os "liberais" querem purgar a internet do que consideram "falsas notícias", actuando como Ministério da Verdade orweliano. Querem instituir uma censura à escala global, na qual lhes caberá sempre a última palavra sobre o que o público deve ou não ler ou ouvir. Cabe-nos resistir a uma tal iniquidade denunciando-a vigorosamente. 


Os pedidos de recontagem dos votos


Uma candidata do partido dos verdes dos EUA que obteve pouco mais de 1% dos votos decidiu pedir a recontagem dos boletins em 3 Estados: Michigan, Wisconsin e Pensilvânia.

É difícil seleccionar onde colocamos o ênfase aqui: se no facto da candidata ter tido 1% e portanto ser irrelevante eleitoralmente e não ter qualquer interesse pessoal na recontagem; se no facto dos 3 Estados seleccionados serem estados onde Trump ganhou (existindo outros onde Clinton venceu por margens menores); se ainda no facto de que apenas uma completa reversão dos resultados nos 3 Estados poderia alterar o desfecho final.

E no entanto, a campanha de Clinton - que antes das eleições se indignou com a possibilidade de Trump não reconhecer imediatamente os resultados ("isso equivaleria a minar a democracia americana", "não é assim que fazemos as coisas na América") - já declarou que participará na recontagem... Isto apesar de não existirem relatos de fraudes ou irregularidades e das margens pelas quais Trump ganhou, apesar de escassas, excederem os limites abaixo dos quais as recontagens são obrigatórias.

Trata-se de uma história mal contada e que leva a  questionar o que estará aqui verdadeiramente em causa.

Como se sabe, paralelamente a estas petições estão a ser feitas pressões e ameaças a vários membros do colégio eleitoral para que defraudem o sentido de voto dos eleitores dos respectivos Estados e votem antes em Hillary Clinton. Caso se conseguissem combinar a reversão dos resultados em pelo menos dois dos três Estados (e não tenhamos dúvidas de que o tentarão fazer, sempre com argumentos de "transparência" e "integridade" do voto mas na realidade não olhando a meios para tentar subverter a contagem feita e os resultados já certificados) e adicionalmente se conseguisse mudar o sentido de voto de alguns eleitores do colégio, Clinton poderia ainda chegar à Casa Branca.

Realisticamente estes esforços não têm possibilidades de sucesso mas o que está aqui em causa - e este é o corolário também da preocupação com as "falsas notícias" e as alegações de "mão russa" nas eleições - é minar desde o início a presidência de Trump, fragilizar o seu mandato e a sua autoridade e apresentá-lo como um Presidente ilegítimo. Afinal de contas algo de contrário à "ordem natural das coisas", a ordem liberal, multicultural, relativista e globalista, aconteceu no mais poderoso e influente país do mundo.

Ninguém sabe o que será uma presidência de Trump e o que nos reservam os próximos 4 anos, mas há um resultado deste ciclo eleitoral que é valioso: a histeria colectiva da esquerda e a espiral paranóica em que a mesma entrou com a vitória de Trump tornaram visíveis as suas tendências totalitárias e as suas intenções quanto a quem não concorda com o seu modelo "inclusivo" e "tolerante": o silenciamento, a difamação e o opróbio social.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Globalismo

"We will never surrender this country or its people to the false song of globalism".
Donald Trump, 2016

sábado, 2 de abril de 2016

A tirania está ao virar da esquina

Algo de perturbador e muito perigoso está a acontecer no Ocidente - Europa e Estados Unidos.
 
A liberdade (de expressão, de pensamento e de manifestação) está em perigo. Não se trata de uma qualquer paranoia ou teoria da conspiração, mas de uma realidade que demonstrarei com factos inequívocos.
 
O primeiro passo para a limitação da liberdade foi o de criar leis específicas (em vigor em todos os países ocidentais, Portugal incluído) para "proteger" certos grupos. No essencial trata-se da legislação relativa aos "crimes de ódio" e de "incitação" `violência contra esses grupos.
 
Os grupos são, como é fácil de antecipar, as "minorias".

Este foi o primeiro passo. A partir daí o delito de opinião está legalmente instituído e a tirania está preparada.

Quer isto dizer que eu sou a favor da violência contra as minorias? Claro que não. Mas as minorias estão protegidas como qualquer cidadão de qualquer acto de violência, incluindo violência verbal (a injúria). A instituição dos supostos crimes de ódio serve apenas para silenciar qualquer oposição às ideias vigentes e demonizar os seus proponentes.

Por exemplo, relativamente à minoria homossexual, cuja agenda política vai ao arrepio do que a maioria pensa, a maioria está amordaçada e silenciada, porque qualquer divergência dos pontos de vista da agenda gay é imediatamente apelidada como "homofóbica" e a homofobia é um crime.
 
É bom termos noção disto. Qualquer afirmação que não repita linha por linha os dogmas da agenda homossexual, incluindo a de que um casamento deve ser entre um homem e uma mulher, pode já ser criminalizada. Uma pessoa pode ser presa por dizer algo tão evidente como isso. Onde já se viu alguém ser preso por sustentar uma posição sua, uma convicção, uma opinião? Apenas nos regimes totalitários... até agora.
 
Outro exemplo é a "islamofobia". Um "crime" inventado para impedir que as verdades sejam ditas relativamente ao extremismo islâmico, permitindo que o ambiente favorável ao terrorismo continue a existir. Com as consequências que estão à vista em países como a França, a Inglaterra e agora a Bélgica.
 
Todos os dias em que há atentados terroristas na Europa, passado o primeiro choque, horror e raiva, temos que ouvir repetido dezenas de vezes por dia que o terrorismo não tem nada a ver com a religião islâmica, nada a ver com árabes, etc. etc. Tem então a ver com quê?
 
A tirania está ao virar da esquina e é bom que os Europeus comecem a perceber bem o que está a acontecer.

No dia de Ano Novo centenas de mulheres foram molestadas na Alemanha e noutras cidades europeias e algumas foram mesmo violadas. No entanto os media foram instruídos para nada dizerem e durante dias tudo foi escondido e silenciado, até o escândalo rebentar. Polícias alemães foram objecto de processos internos por supostamente terem permitido que a notícia chegasse ao público.
 
Em França, na cidade de Calais, os "migrantes", os supostos refugiados, amontoam-se sem condições mínimas, lançando o caos nas ruas e aterrorizando as populações locais. A polícia nada faz. Mas quando um grupo de cidadãos franceses locais quis fazer uma manifestação, foram rodeados por polícia e polícia de choque, equipada com tudo e mais alguma coisa, que os impediu de sair do local de reunião, os agrediu com bastonadas e gás pimenta, prendeu vários manifestantes pacíficos e dispersou até à última pessoa. A mesma polícia que, quando os "refugiados" fizeram uma manifestação que tratou de agredir os locais, quase entrando pelas suas casas dentro, não se viu em parte nenhuma. Os vídeos destas situações estão no youtube e são claríssimos.
 
A mensagem parece clara: as élites políticas decidem o que querem. Primeiro inundam a Europa com milhões de muçulmanos, alguns certamente pacíficos e a procurarem uma vida melhor (ainda que não exactamente da Síria, de onde menos de metade são oriundos), mas muitos com intenção clara de matar europeus e lançar o caos no Ocidente. Depois silenciam os seus cidadãos, seja através dos tribunais e das falsas leis de repressão da liberdade de expressão, seja através das polícias com uma repressão violenta de qualquer manifestação de desagrado dos cidadãos. Finalmente com o terrorismo a aumentar (que surpresa...), tal como a violência interétnica irão retirar-nos ainda mais liberdade sob o pretexto de nos protegerem (quando a causa da nossa insegurança são precisamente as suas políticas). 

A tirania está mesmo ao virar da esquina.